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não faz sentido regar uma flor que já morreu.

Que talvez seja um outro modo de dizer aquela famosa frase " onde não puderes amar, não se demores ". Fato é que eu estou repetindo essas duas frases pra mim mesma desde que li a do título hoje mais cedo e logo me lembrei da que escrevi ali na primeira linha. A gente é bobo, né? Pensa que vai morrer, que o mundo acabou. Ninguém morre de amor, mas talvez morra um pouquinho cada vez que se conforma em viver onde não podemos fazer casa, onde a gente se sente sempre a visita que precisa perguntar se pode abrir a geladeira.  Eu quero deitar no sofá e acordar com um cobertor nos meus pés. Quero que a gente pense juntos sobre onde podemos ir no feriado que vem. Quero acordar numa manhã de sábado e tomar um café da manhã bem demorado. Quero cozinhar junto com você no domingo e tudo bem se o resultado não ficar tão bom assim. Quero que a gente cogite os nomes dos possíveis filhos que a gente nem sabe quando e nem se quer ter.  Só porque a gente quer, porque é legal pensar em dividir p...

é tudo muito injusto.

é injusto aqui na minha cabeça que as coisas não prossigam conforme a minha vontade e que eu não possa abraçar todo o mundo, que não possa encher minha mochila com tudo o que mais amo e carregar pra onde for, com a segurança de que estou protegida em caso de qualquer imprevisto.  viver é o imprevisto.  Deus é a preparação e mesmo colocando toda a minha vida nas mãos dEle às vezes eu queria só uma segurança pequenininha de que eu estou fazendo as coisas do jeito certo. De que tudo vai ficar bem.  Não é apego, eu juro. ´Talvez seja medo, mas do incerto, não de que estar com Deus é sempre o melhor dos caminhos.  Só sei que eu gostaria de ir e ficar ao mesmo tempo.  E não dá.  Hoje te disse pra ir,  queria que me respondesse de volta que quer ficar. 

todos os dias, onde morre o amor

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aqui, bem nas nossas vistas mesmo. quando você deixa aos poucos de perguntar sobre aquilo que te contei que ia acontecer. quando a gente se toca menos. quando esquece de ser gentil por dias e dias seguidos.  quando deixa pra depois sem pensar ele depende inteiramente da gente se querer hoje.  todos os dias, onde morre o amor. 

rasgar-se e remendar-se.

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Que arte é essa que me sufoca e ao mesmo tempo me faz querer viver? Quem ela pensa que é pra me ter refém? Se não soubesse que nosso saldo é mil vezes  mais positivo do que negativo, arriscaria dizer que nosso relacionamento - o meu e da arte - é abusivo.  Se estou longe me sinto vazia, sem forma, sem graça. Se estou perto me lembro de todos os motivos que há anos me fazer morar nesse ir e vir sem destino.  Se conhecesse a gente apenas de longe, como um desses casais que vemos em fotos, juro que diria que somos almas gêmeas, que a gente nasceu pra ser. Na vida real, por outro lado, toda vez que te encontro eu penso: ser o quê? De que vale poder ser tanto se ao final é com o nada que a gente vive?  Queria ser toda sua. Sem coração dividido. Sem essa pressa de ir todas as vezes que eu chego. Sem períodos longos em que a gente nem se vê e o meu coração fica oco. Mas o que é que a gente é? Arte. Incompleta. Insatisfeita. Toda oca, ainda que carregada de amor.  (c a...

Miguel, a gente promete não esquecer.

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Há 5 dias eu fico pensando que a minha mãe, como mãe de um menino negro, podia ser a mãe do Miguel. Que  a minha avó, como empregada por uma vida, também podia ser a mãe do Miguel. A gente sobreviveu.  Eu passei grande parte da minha infância indo entregar costuras junto com a minha avó na casa dos fregueses dela. Os lugares sempre muito cheios de coisa, com salas que pareciam maiores que a minha casa inteira. Sempre tinha muita casa e pouca gente. Engraçado que eu lembro pouco dos donos das casas mas lembro muito da Iô. A Iô era empregada de uma das casas e também amiga da minha avó. A Iô, de Iolanda, era negra.    Eu penso no que seria diferente se minha pele fosse um pouquinho mais escura. Se teriam coragem de me deixar sentadinha na sala esperando, sozinha, enquanto minha avó tirava as medidas das freguesas no quarto. Se eu teria sido bem vinda nas viagens com esses patrões da minha avó, se eles teriam me deixado entrar na piscina como eu entrei. Eu semp...

Obrigada, Carol.

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Em uma tarde de 2017 eu ouvi algo que me parou. E eu fiquei assim, parada, por quase um dia todo. Já era final da tarde quando ouvi e encerrei aquele dia ali, sozinha. Eu e meu violão repetindo incansavelmente uma mesma música tal qual um disco riscado que esqueceu como funcionar. Não era possível. Mas era. Eu acordei no outro dia e continuava sendo verdade, continuava sendo verdade! Mas não podia ser. As horas iam passando e eu só precisava que minha mãe chegasse em casa. Eu não conseguia falar, estava há quase um dia sem falar. Se eu falasse ia ver que era verdade, e não podia. Eu acordei, tomei café, me arrumei, penteei os cabelos e fiquei esperando minha mãe chegar no horário que ela sempre chegava porque ela iria entender ou me dizer que não podia ser real. No momento em que minha mãe chegou eu já estava aflita e ninguém entendia nada. Disse à ela que a Carol - aquela minha amiga com quem tomamos café no dia do Sarau - a Carol mãe, de cabelo enroladinho, cheia de express...

Sobre meus desertos - o mais longo deles

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Em 2018 eu briguei com Deus.  E briguei com muita gente tentado suprir a fala de Deus, e briguei com outras porque queria encontrar Deus. Se você me conhece ao menos um pouquinho já deve ter percebido que eu não sou de briga, mas naquele tempo eu só queria brigar, estava brigada comigo mesma.Eu não entendia o porquê. Não conseguia entender como podia ser tão simples se eu nem de longe merecia tanto. Como era possível um amor tão grande assim que me chamava de filha e que me abria os braços e que me amava mesmo quando eu fazia as piores coisas?  Nesse meu deserto, Deus me encontrou de novo. Várias vezes, quando eu não queria ser vista, quando eu não queria ser encontrada. Nos momentos em que eu queria estar sozinha e me isolar na minha própria dor. Quando eu achava que meu sofrimento era maior que o dos outros e quando eu achava que elas nem sequer eram dores e não mereciam cuidado. Deus me abraçou.  Ele mandou pessoas, experiências. Ele me contou histórias e...

22 de junho de 2018

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Tem meses que eu venho tentado não sentir tudo isso que está aqui dentro. Eu me maltrato o máximo que dá pra não deixar sair. Durmo todas as noites com um nó maior que eu na garganta só pra não deixar os outros verem como a gente pode ser feio por dentro, o quanto pode não ser bonito quando a gente se guarda o bastante pra acabar se derramando, no mal sentido. Eu tentei ocupar cada minuto do meu dia pra tentar convencer a mim mesma que no fundo no fundo não tava perdida. Mas eu tô e não faço ideia de como sair daqui. Eu já tentei fingir que isso não me incomoda, mas nem isso mais eu tô sabendo fazer. Se chego em casa eu quero ir embora e na rua só penso em me recolher. Em algum momento eu me deixei escapar e tô com medo da pessoa que eu era nunca mais voltar e eu me sentir assim pra sempre. Eu tô com medo porque eu sinto que ainda tem muito tempo aí fora pra pouco eu. Muita gente botando fé em alguém que eu nem sei mais se existe. E porra, isso dói. Cada vez que eu mergulho outra ve...

2017.

Eu me preparava pra prestar OAB uns meses atrás e como sempre acontece em toda prova que eu faço, dessa vez em uma intensidade até maior, eu estava surtando. Minha vida não ia acabar se eu não passasse, eu teria outras chances. Mas ao mesmo tempo eu apostei tudo que podia ali. No dia da primeira fase minha mãe conseguiu ingressos pra assistirmos o musical do meu livro favorito: Les Mis. Se eu passasse ou não a gente veria a peça mesmo assim. Os miseráveis é sobre mudança, é sobre esperança. Comemorei ali antes da peça começar que tinha passado. Na segunda fase o nervoso estava um pouco maior, se é que isso é possível. Pois bem, na ultima aula do cursinho decidiram passar um daqueles vídeos pra mostrar que a gente é capaz, pra minha surpresa, a Susan Boyle cantando a música tema de les mis. Ali eu entendi que ia dar tudo certo. Ali eu senti as mãos de Deus me dizendo "Ana, se acalma, confia". Deu certo. Em outra oportunidade esse ano mesmo eu me encontrava com as maio...

pra quando o carrossel estiver rápido demais

Eu tive uma semana pesada e pensei que de algum jeito, por mais que eu não queira, isso pode continuar acontecendo por mais um tempo. Sendo assim, aproveitei esse momento de calmaria pra fazer uma lista de coisas que me trazem paz e na qual eu possa me apegar todas as vezes que estiver pedindo pra sair, aqui vai: Minha irmã Fotos de São Paulo Fotos de São Paulo em preto e branco Janelas Ouvir a mesma música repetidamente e sem pausas Café no fim de tarde Poesias Minha mãe Caminhar sem rumo por lugares que eu já conheça Riscar tarefas terminadas Sentir que algo que escrevi ficou bom o bastante pra ser compartilhado A comida da minha avó  Criar coreografias na frente do espelho  Meu violão desafinadinho Caminhos longos de ônibus com um amigo do lado O barulho do mar Olhar para o mar Mãos dadas Esperar o momento certo do filme pra começar a comer Perceber que eu estudei tudo o que deveria ter estudado Editar a mesma foto várias vezes O...

sobre-viver

Ser assim, como sou, dói. Afunda a gente. Tem um turbilhão acontecendo aqui dentro e eu tô vendo parte de mim desmoronar por inteiro. Parada. Sem poder fazer nada. Vendo tudo explodir. Vendo o que era meu deixar de ser. Eu tô com medo porque nunca estive do lado de cá, porque antes eu era plateia. Tá doendo porque eu me sinto inútil em não poder fazer nada. Em ser só eu. Em novamente ser menos do que precisam. Eu queria chegar na sua cara e gritar bem alto que porra é essa que você tá fazendo pra onde você tá indo no que é que você tá se tornando. Eu queria gritar bem alto pra ver se você percebe o quanto isso não faz sentido. O quanto ficar perto de você é tóxico e o quanto mesmo assim a gente tem permanecido aqui. Eu queria ser boa o bastante e ter o poder de persuasão que você tem, e te convencer a voltar. Mas você não volta, porque não quer, porque assim como eu descobri que sou pouco, você descobriu que a gente não vale a pena. Desculpa, mas não é verdade. Em momentos eu já achei...

o sol.

em algum momento desses últimos dias descobri que você, enquanto nós, era paz. eu gostava da sensação de tarde de domingo que me atingia toda vez que te via chegar. segunda terça quinta qualquer dia. eu gostava de ser vista nos seus olhos porque você descrevia uma versão de mim melhor do que qualquer reflexo que algum dia me apareceu pra no espelho do banheiro em todos esses anos de existência. você me deixava bem por amar tanto minha família e não precisar fingir que não quando eles não estavam por perto. a gente era uma coisa bonita juntos, dessas visões que não faz mal passar a tarde toda se vendo. eu te via poema e você me via flor. com você me sentia flor e me permitia ser tão delicada quanto o nome exigia. gostava de te ouvir falando meu nome porque de algum jeito você fazia ele parecer importante mesmo estando na lista de nomes mais comuns desse mundão todo. com você eu fui única. e a vista era boa. o corpo quente. era verão todo dia com brisa de fim de tarde até quando o dia n...

Da infinidade de coisas que a gente pode entender enquanto assiste Grey's Anatomy.

Meu pai me ensinou que a gente precisa esperar o telefone tocar duas vezes antes de atender, pra evitar ser atingido por uma descarga inesperada de energia. Eu deveria ter aprendido, mas não consegui. Oito anos atrás, quando eu tinha doze e não entendia quase nada, o telefone de casa tocou e nem que eu tivesse esperado até o último toque pra atender, nada iria me preparar pra toda energia que eu vi ser descarregada sobre mim. Eu ouvi aqueles gritos, perguntei de novo pra ter certeza que não era pegadinha e larguei o telefone no chão, fiz o que a gente faz quando não sabe o que fazer e o mundo parece grande demais pra você. Corri pra minha mãe e avisei que tinha alguém no telefone, fingi que não tinha ouvido notícia nenhuma, que o mundo ainda era mundo e que não era verdade até me contarem pra valer, mesmo depois de já ter ouvido duas vezes. Dali minha mãe ligou pro trabalho do meu pai, avisou que estava indo buscá-lo pra se despedir do maior amor que ele um dia conheceu. Minha av...

Porque o tempo não cura tudo, o amor sim.

Hoje de manhã  a gente tava lá em casa felizes comemorando uma dessas coisas boas que acontecem quando alguém que a gente ama se esforça mais que a maioria e meu pai lembrou de você. Disse que hoje seria um daqueles dias de passar o dia todo ao telefone, ligar pra família inteira, pros vizinhos, ligar até pros filhos menos chegados e contar o quanto tava feliz e o quanto a vida tava recompensando, toda orgulhosa. Lembrei dessa conversa agora à noite e mesmo feliz me peguei chorando e não consigo fazer parar. Por mais desnaturada que eu pudesse ser em termos de família, no meu aniversário você sempre ligava e não precisava de facebook nem nada pra te lembrar que era meu dia, pra me desejar boa vida e elogiar meus cachinhos. Me peguei chorando porque percebi que tem oito anos que você não liga. Tô chorando por toda falta que não me permiti sentir nos últimos anos e por todas as lagrimas que não soube como derramar naquele setembro de 2008, quando nada parecia fazer sentindo. Eu tô c...

Vê se não morre, toma cuidado

hoje eu me peguei lembrando de um dia de uns vários anos atrás. eu tenho quase certeza que era época de férias, então devia ser dezembro ou julho. provavelmente dezembro. lembrei da gente andando num lugar meio desconhecido, bonito, cheio de mato. havíamos parado em uma loja dessas de conveniência qualquer e comprado um salgadinho pra cada um, então o dia tava bonito mesmo. eu lembro que estávamos a mamãe, eu, duas das minhas amigas e você, que devia estar perto de fazer um ano. em termos de dinheiro as coisas tavam curtas naquele tempo, bem mais curtas do que agora, com certeza. só sei que de algum jeito aquilo não impedia a gente de ser feliz, muito menos de ser feliz naquele dia.  o destino era o Butantan, inteirinho e antes do incêndio. e por mais que nenhum de nós tivesse algum dia gostado de biologia, a gente queria aquele passeio mais que tudo. do dia em si eu lembro pouco, da gente andando naquele verde sem fim, vendo uns bichos que não se vê todo dia, de você me a...

Quando eu te olhava, me via.

Quando te conheci naquela tarde de sábado mais quente do que o previsto, algo em mim já sentia que você iria mexer comigo da mesma forma que o sol faz quando toca minha pele. Que eu adoraria te ter por perto ao mesmo tempo em que tratava de usar protetor solar o suficiente pra garantir que ficássemos apenas na superficialidade. A questão é que às vezes - quase sempre - eu me esquecia daquele cuidado todo antes de sair de casa. E me via queimando e me deixando queimar, embora meu desejo ainda fosse a distância. Eu me assustei porque encontrando você eu  via a mim mesma. Eu enxergava uma alma tímida à espera da palavra certa pra se revelar. Eu via o mundo de alguém que refletia o meu mundo. E aquilo me assustava. Então eu corri. Por mais difícil que seja admitir, eu sempre procurei no outro aquilo que me faltava. Não que de algum jeito eu me sentisse incompleta, mas sim porque eu não acredite que nada pode ser bom o bastante a ponto de nunca precisar de um complemento. Enquanto eu q...

traz cor pra minha vida com o caos dos seus problemas

Sempre fui certeza, dando cada passo com a confiança de que aquele seria o único, que eu não era mulher de voltar atrás, de mudar de ideia. Mas não, você me faz flutuar na linha tênue entre estar completamente vulnerável quando a minha mão repousa na sua, ao mesmo tempo certa de que tudo isso é só mais uma fase. Você incomoda, me preocupa. Por mais que tudo pareça certo quando a gente se encaixa, o vazio que você deixa em mim toda vez que vai embora me assusta. Eu sempre me bastei, fui completa, inteira. Você vem e me bagunça, tira tudo do lugar. Faz minhas certezas parecerem vagas, me deixa horas pensando no que eu um dia fui convicção. Chega mas não fica, me diz casa mas não mora. Faz parar, por favor. Eu sou perfeccionista, não aguento incongruências, você despenteando meu cabelo. A gente pode ser ou não ser, ficar ou ir embora. Não me faz ser gangorra, por favor, deixa meus pes no chão. Não me dissolve, transborda. Pareço muralha mas sou gesso, frágil e me desmancho. Antes em lágr...

Uma nota sobre ausência.

Foi na estação de trem, nos parques, ao celular. Em cada ruazinha em que a gente passava, nos carros, e até com a sua mãe ao lado. Te amei em casa um daqueles lugares, com todo coração que eu podia dar. Não eram os beijos, não foram seus encontros, era o contrário. O desencontro e a dor do fim do dia. A demora de cada metrô que não era o seu, era a espera no fim da tarde. Desculpa eu te amar demais. Desculpa a pressão, desculpa o gosto por te ter ao lado. Não queria fazer mal, só nunca entendi esse lance de amor comedido. 

(antes escrevia poemas, hoje em dia só escrevo você)

No pior dos casos, eu diria se tratar de amor. Daqueles que se custa a aceitar, por motivo algum, bem sei, mas que te domina interinha. Chega a ser estranho esse efeito que você causa. De me fazer achar tempo na rotina, andar sorrindo pros dias cinzas, encostar meu rosto no seu peito e sentir que já alcancei o mundo. Se eu pudesse prever qualquer coisa exatos 97 dias atrás (coincidentemente, a data em que você resolveu apostar em mim) eu diria tudo, tudo, menos que estaríamos onde estamos. Eu já me quebrei demais, fui quebrada, me atirei fundo em amores rasos me sentindo cheia, entreguei o que eu tinha de melhor a quem só me dava o mesmo que oferecia pro mundo, nunca o bastante. Quando a gente se encontrou, eu andava em corda bamba embora ao mesmo tempo sentisse ter tudo. Os aplausos do público e o ritmo da banda; as risadas, as fotografias. Todavia, ali no meu eu já sabia que a qualquer momento, se eu não prestasse atenção o bastante pra cada pequeno passo que eu dava, poria tudo a p...

ah, você pra mim é privilégio.

Eu quis me doar pra você. Inteira. Do jeito que sou. Com todas as imperfeições e machucados que me tornam e fazem completa. Por mais que você relutasse a encarar que sim, dentre todas as circunstancias da vida, a gente merecia uma chance, e eu diria que, felizmente, te dei todas. Te dei a mim, de peito aberto. Eu nunca falei que queria algo especial, até porque, não importava quão longe minha imaginação pudesse ir, nenhum dos meus planos chegava tão perto de se tornar tão completo quanto das vezes em que eu te imaginava ali. Eu deixei que você me possuísse, inteirinha, pra fazer de mim o que quisesse. Nao foi um voto de confiança, foi uma aposta. Em você e em tudo aquilo que sinto que poderíamos ser. Eu nunca me importei com as coisas que você já viveu, menos ainda com as pessoas que te acompanharam. Quando penso em você, eu te quero. Só e a sós. Entre quatro paredes, fazendo dali meu mundo. Me amando, me fazendo sua, me usando até cansar. Quando quiser. Já pensei em mil formas de com...

30.

Eu li a notícia ontem, enquanto voltava pra casa e não entendi Li hoje quando acordei, outra vez, e ainda não entendi Já chorei sozinha aqui no meu eu Pensando em que mundo louco é esse Mas desculpa, ainda não entendi Trinta Trinta homens Uma mulher Que poderia ser qualquer uma entre essas cento e poucos milhões que existem na população brasileira Que poderia ser eu ou você E que pode até ser, sem a gente saber, porque um estupro acontece a cada 11 minutos aqui Não é normal. Não é normal alguém achar que pode violar o corpo da gente Não é normal achar isso demais e sair espalhando pros quatro cantos como é machão por ter feito isso Não é normal ainda ter cara se mobilizando pra encontrar o vídeo Dói. Em mim, na menina, em qualquer um que entenda o quanto isso não é normal E pra quem questiona o feminismo no dia a dia Pra quem acha que isso é tudo mimimi Que a gente reclama de barriga cheia É por isso. E pra não ser eu, você, minha irmã, sua filha Pra não ser mais...

Moço, cuidado!

Ele é vento. Daquele dia em que nada deu certo. A brisa leve durante fim de tarde. Em todo lugar e nunca de lugar nenhum. De fazer tremer as pernas, esquentar o coração. Esses dias a tirou pra dançar. -Moço, cuidado Ela é flor! Aquela que brotou no cantinho do asfalto. Que ninguém olha e todo mundo vê. Tem gente que se espanta. Alguns ignoram. Falaram que há algum tempo vem perdendo os espinhos. Desde que o outono por aqui passou. Não leva ela não. E se tirar do chão, tenta não derrubar. Ela é frágil. Ela é linda. Perfumada Ouvi dizer que agora dança.

sobretudo, vivemos.

Olhar pra esse mundo, ver o mundo com seu olhar Por um dia, uma hora, o que fosse Só pra eu tentar entender Desvendar Encontrar Uma portinha pra saber o que você pensa E tentar pensar junto também Se é caos, estranheza ou certeza Se não é história da cabeça deles Se é alguém que entende muito mais dessa coisa de viver que eu Alguém que encontrou a chave dessa tal de felicidade Da vida bem vivida Aquela em que já se atingiu o bastante Que o limite é que você sente E que viver é só. E é lindo.

avisa que eu não tô pra ninguém

Se o sol bater, diz pra ele voltar amanhã Quando isso fizer sentido As coisas tiverem cores E se ele insistir Avisa que não vai dar Que eu bem que tentei, pra passar outro dia Uma asneira qualquer Mas quando voltar diz que deixei recado Imprevisto Chegada de reis Deu no jornal, vai passar Se acaso escolher esperar Faz mudar de ideia Diz que eu não sou dessas de se apresentar pra mãe Das tardes de domingo Mãos dadas pela rua Não vai fazer bem Dá um jeito, Avisa que não sei lidar com gente que brilha Que não mereço luz tamanha Dá um jeito Uma desculpa, qualquer coisa que o mude de ideia por gentileza, tira ele dessa Tanta gente aí fora querendo se amar Ser amado, Fala que ele vai encontrar Diz que não sou eu Que não foi dessa vez Deseja sorte Abraça consola Só não o deixa sofrer não deixa, não deixa Não dessa vez, Não deixa

ela, com ela, pra ela

Cabelo molhado, chinelo de dedos, a calça em farrapos E acredite Ela é assim Por dentro mais que por fora A vida antes de tudo Aquele bom dia que ninguém diz Companhia tão boa quanto o café do fim de tarde Queria ser d(ela) A que não liga Que não aparece porém está sempre ali De mansinho Mas sempre que você precisa Já perdi as contas de quantas vezes me livrou do mundo E fez tudo leve apesar do peso que esse isso tudo trás Sim, eu queria ser d(ela), com ela Sempre Por onde andarmos Carregar esse sorriso com o canto dos olhos E luz mansa que clareia escuridão Não importa se da vida, ou só aqui, do meu eu Sim, eu queria ser d(ela)

humanidade pra vender

dia de compras, largo treze de maio. avisto uma pilha de lixo escorada num poste mas então o lixo se mexeu. meu coração sobressaltou GRITOU. era uma mulher. avó, mãe, filha ou que seja mulher igual a outras tantas que um dia se importou e já teve quem cuidasse mulher, não lixo. mulher, jogada feito lixo. desculpa, senhora eles não sabem o que fazem não entendem de gente e eu, sinceramente eu não entendo de nada Desculpa.

(...)

          O problema não é você, sou eu. A começar por todos os romances clichés que eu te fiz assistir, e jurei não ser. Me perdoa.           Releva aquilo tudo que eu disse, que não sentia mais nada. Eu nem mesmo acho que essa coisa é possível, pelo menos não quando o sentimento é pra valer. Eu sei que fugi, mesmo tendo prometido que não faria isso de novo, que iria te avisar se tudo parecesse demais pra mim. Não deu. Tudo estava desmoronando, eu não podia te enfiar mais ainda nesse drama caótico que eu sou.           Eu nunca estive acostumada a isso, com gente me mimando, querendo saber de mim de verdade, preocupada comigo pra valer. Me beijando de leve mas ao mesmo tempo com força enquanto eu tentava terminar uma frase. Passando os braços na minha cintura quando eu ficava emburrada . Alguém que se interessava em ouvir todo esse lance que eu consigo enxergar quando leio uma poesia . Que ape...

E de sentir, compreendemos

Encarando a janela do carro, eu olho pra um lugar que talvez nem mesmo exista. É um daqueles dias ensolarados que eu sempre detestei. Uma música nostálgica ecoa em meus ouvidos, mas não é como se alguma coisa nela fizesse sentido "Here comes the sun, duh, duh, duh, duh". Músicas deveriam fazer as pessoas se sentirem melhor, pelo menos foi isso o que eu passei a minha vida toda escutando, no final das contas, parece que eu fui enganada. Penso que deveria estar chovendo hoje; igual ao dia em que tivemos nossa primeira grande briga, mas que fomos obrigados a continuar nos encarando no silêncio porque a tempestade lá fora era forte demais pra que você ou eu saísse desenfreado pelas ruas, e talvez porque essa não era mesmo nossa vontade. Aquele dia percebi que você era diferente, que tinha que ser você. Sempre odiei trânsito, hoje odeio ainda mais. Se eu não estivesse aqui, parada nesse congestionamento infernal em plena segunda-feira de manhã, não necessitaria pensar tanto...

E por você aprendi a dançar

Porque metade de mim é arte, e o resto é você, faz parte. Poesia pra acalmar os dias agitados. Música pra espantar os males que  a vida insiste em rogar.  Histórias pra te contar quando nem o melhor dos causos for bom o bastante. E a dança! Aquela que a gente faz enquanto ninguém  está olhando,  em que a gente se descabela, que perde a noção do tempo. Vem ser minha poesia! A gente canta a música que der na telha e acaba de vez com essa história que contam de que apenas amor não basta, que não dá pra ser feliz de verdade vivendo com o que se tem. E a gente comemora dançando, e ri daqueles que disseram que isso é apenas besteira. E dança!  E dança pra eles, dança com eles. Dança pro mundo inteiro sentir como é essa dança que é só nossa. E termina o dia assim, sem saber o que passou nem para onde vamos. E a gente escreve uma poesia pra tentar explicar pra eles o que é isso que a gente tanto vive. Essa história que dizem não ter pé nem cabeça. E dança! Dança mes...

Do nosso amor ganhei um porre

Essa tarde eu bebi pra ninguém botar defeito Me embriaguei de você Até a última gota Enquanto me restaram forças. Cansei dessa ressaca de uma vida inteira Esse desenrolar de esperanças que não levam a lugar nenhum Bebi saudades, prazer, desgosto e amargura Tudo nessa batida louca e forte que era você No começo, estranho ardia de arrepiar até aquilo que eu nem sonhava em ter Depois senti você, e foi só. E a cada gole ia sobrando menos de mim E vinha crescendo grande essa vontade aqui dentro Bebi todas as vezes que me fez esperar Bebi também suas desculpas desencontradas Bebi até aquele orgulho de não sentir mais nada Me afoguei.  Me embriaguei  Saí da dieta, quebrei promessa.  Bebi  Mas se quer saber eu não beberia de novo Pois descobri que pra esquecer teu gosto Isso eu nem se eu entornasse um bar inteiro.

Conversa de ônibus

"O que Gisela descrevia para mim era um amor intensamente alegre e íntimo. Achei aquilo a descrição de fé mais convincente que eu já tinha ouvido. Eu não estava prestes a sair correndo para pegar uma bíblia; tampouco nossa conversa era de alguma forma sobre mim ou sobre minhas escolhas. Mas ela me deu o que pensar" - Orange is the new black Esse trecho do livro me chamou atenção e acabou batendo com uma situação que eu vivi um dia desses. Engraçado como algumas coisas que parecem estar muito erradas acabam dando certo. Essa semana saí de casa super atrasada pra ir à faculdade e no ônibus, perto de mim, havia casal de amigos. No começo o papo deles parecia mais um daqueles que eu ouço todo dia pelos transportes públicos da vida e ignoro, mas percebi que não. Descobri que eles eram de uma igreja da qual eu e minha família fizemos parte por vários anos, que em algum momento deixou de dialogar com aquilo que nós queríamos viver, mas que mesmo assim contribuiu bastante...

Sobre 25 de dezembro

"Uma coisa é certeira,  parte do que parte permanece uma vida inteira" 2001. Passava da meia noite do dia 25 de dezembro, por algum motivo fui à cozinha buscar um copo d'água e voltei com muito mais que isso. Encontrei um velhinho barbudo, simpático e barrigudo. Diferente do que sempre me falavam, ele vestia verde. Me entregou uma bicicleta de presente, exatamente o que eu mais queria. Ontem à noite, conversando com meus pais essa passagem da minha infância veio à tona, ainda me lembro claramente de contar a eles tudo o que eu havia visto naqueles prováveis 2 minutos que gastei para encontrar minha bicicleta nova na cozinha. Se me perguntassem, juraria de pés juntos que era ele. Sim, Papai Noel me visitou, eu vi o bom velhinho!                 Engraçado lembrar dessas coisas.              Sempre fui o que podemos chamar de uma criança com imaginação fértil, felizmente isso me trouxe grandes r...

Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança

... -licença -licença -licença -só um real cada, moço -licença -licença -um real cada, moça ... Mania de querer saber o que você faz, para onde vai. Mania de me sentir mal toda vez que te vejo.  Mania de me perguntar o que te trouxe até aqui, por que você. Mania de não poder fazer nada, de me sentir culpada. Eu sei que um chocolate vai ser sempre só mais um, mas eu tenho essa mania besta de continuar tentando. Mania de não entender por que colocam um peso tão grande em alguém tão leve, tão pequeno. Mania de revirar minha bolsa pra ver se mudo o mínimo do mínimo, mesmo sabendo que no fim do dia nada mudou. Mania de ficar comparando o quanto você cresceu desde que me pediu licença pela primeira vez. Esse rosto não era assim. Essa voz também não.  Parece que você cresce pra dentro. Do jeito errado, igual toda essa situação, crescente. Mas você cresce, cresce mais que eu, a cada licença que pede, de ônibus em ônibus, cresce. E em mim, só cresce o desejo de um dia a gent...

Mesmo grande, perto de você sempre quis ser pequenininha.

porque nem toda perda é necessariamente uma perda. pode ser alívio, fusão de tudo, coisa de outro mundo ou nada de marcar a memória entrar pra história te deixar por triz e passar a gente nutre essa esperança de um dia se reencontrar reflete e pensa que isso tudo foi porque valeu a pena porque a gente viveu e vivo vai continuar virar história dessas que o povo adora espalhar por mais estranho que pareça acho que eu finalmente entendi o sentido das coisas e a dor parou porque eu senti ela existe para ser sentida não sei bem se agradecer seria a coisa certa a se fazer afinal já faz tanto tempo. lembro de cada detalhezinho: os andares que eu subi aquela visita que não fui forte o bastante pra terminar o momento em que o telefone tocou. ali eu já sabia. te perdi na rotina mas sua história aparece a cada passo que eu dou onde olho em volta você está Em alma coração no jeito deles falarem e na forma de carregar a vida. obrigada por...

e por mais que te conheça, mais vontade de te conhecer me dá

    "Você me perguntou se sou feliz, de verdade, não sei, e também não me importo. Abomino a ideia de que tudo tem que estar dando certo o tempo todo, não tem, nunca vai estar. Não é como se tudo estivesse dando errado na minha vida , mas também não é como se tivesse alguma coisa de muito espetacular acontecendo agora. É apenas minha vida sendo vivida, não sei se de forma errada, mas de uma forma que me agrada. Eu gosto do jeito que as coisas tem acontecido.     Para mim felicidade é um conceito muito distante, as pessoas a tratam como se fosse um baú do tesouro, que quando você a encontra pode colocá-la no alto de sua estante, e ali ela vai ficar para sempre. Acredito que não é bem assim. Imagine comigo quão monótona seria a vida se todas as vezes que acordássemos as coisas estivessem do mesmo jeito, se não tivéssemos que nos preocupar com nada, se não tivéssemos que lidar com nenhum imprevisto. Todos os dias seriam apenas outro dia. Por esse e outros motivos ...

capítulo 09-

E aquela decisão seria com toda certeza umas das mais importantes de sua vida. Ela magoaria muitas pessoas com aquilo, mas por outro lado deixaria muitas outras felizes, além de si mesma(?).Ela já não tinha tanta certeza se estava fazendo a coisa certa, já havia um bom tempo que ela esperava por aquilo, e quando a hora realmente chegou ela ainda não havia se decidido. Ela sabia que se deixasse aquela chance escapar, nunca mais teria a chance de realizar tal feito, e se sentia como naqueles filmes fantasiosos onde dois mini clones de você sentavam-se em seu ombro, e enquanto um dizia" você vai se arrepende r", o outro exclamava" não seja tola e aceite logo, eles irão entender ".Porém ela não sabia exatamente qual estava dizendo a verdade . Aquilo já estava tomando conta de todos os seus pensamentos, e o tempo para tomar a decisão estava se esgotando. Naquele momento tudo o que ela precisava era um amigo , simplesmente para que pudesse desabafar, ela nunca hav...
"Torna-te quem tu és" - Píndaro